Finalmente, a escola

Post escrito em 11-10-2017

O processo de escolha da escola da nossa filha não foi difícil. Não porque não fosse importante (era extremamente importante!), mas porque adoramos a que acabamos por escolher. Visitamos quatro, falamos com amigos sobre várias e escolhemos a primeira.

A escola da minha filha fica a 200 metros de nossa casa, no mesmo passeio. Vamos e vimos a pé. É prático, cómodo, fácil – embora este não tenha sido o argumento principal a pesar na decisão.

A escola da minha filha fica numa casa linda, com jardim, relva, árvores, brinquedos de exterior. A sala dela fica virada para o jardim com uma parede toda em vidro e uma porta também em vidro com um degrau pequenino de acesso.

Na sala dela há diversos espaços, de leitura, de brincadeira, de “trabalho”. Há desenhos feitos pelos meninos e paredes decoradas com fotografias deles.

Na escola da minha filha há música clássica sempre a tocar baixinho.

Na escola da minha filha todas as pessoas que lá trabalham são imensamente simpáticas, queridas, disponíveis. Tratam-nos por “papás” e nós tratamo-las pelo nome. Tratam todas as crianças pelo nome, independentemente da sala e conhecem-nas.

A escola da minha filha é familiar e pequenina. Tem um ambiente de casa, calmo, tranquilo. Há sol e tranquilidade. O ambiente é de paz.

Na escola da minha filha falam em inglês e em português (e ela já conta até “ten”). Têm um dia do conto, um dia da música, um dia da ginástica, um das experiências. Há variedade nas actividades e muito tempo livre de brincadeira.

Na escola da minha filha há comidas saudáveis e bolinho de iogurte se alguém faz anos.

Na escola da minha filha há a educadora dela, que é um amor. Que a trata com carinho e a recebe ao colo. Que durante o dia nos manda às vezes um e-mail com uma fotografia a dizer que a C. está bem.


Nós sabemos no entanto que a C. não está bem.

A minha filha acorda de manhã e a primeira coisa que pergunta é se vai para a escola. Se a resposta for sim, começa a chorar. Às vezes ainda não sabe a resposta e já chora.

A minha filha está em casa entre trinta minutos a uma hora antes de sair, entre vestir, tomar o pequeno-almoço e arranjar e chora o tempo todo. Pode distrair-se às vezes por meio minuto, com os nossos esforços sobre-humanos de mudar o foco, mas volta ao mesmo.

A minha filha fala na perfeição e diz, cinquenta, cem, duzentas vezes que não quer ir para a escola.

A minha filha chora em casa, chora no caminho, chora à porta, chora quando entra, chora na sala e fica a chorar.

(Eu também choro. Choro quando fecho a porta da escola e no caminho e até ao trabalho).

A minha filha chora em escala e quanto mais perto da escola está mais chora.

A minha filha chora à segunda-feira, mas a todos os outros dias da semana também.

A minha filha foge-nos em casa e esconde-se atrás dos móveis enquanto chora e diz que não quer ir.

A minha filha recusa-se a entrar na escola e tenta fugir.

A minha filha tem de ser levada ao colo para que entre e é em choro que passa para o colo da professora.


Passou um mês e meio (com uma semana de interrupção por motivo de doença) e continua tudo exactamente igual ao dia em que se apercebeu que a escola era para todos os dias.

Levamos a C. à escola todos os dias e todos os dias eu me sinto um bocadinho pior.

Todos os dias me sinto má mãe.

Todos os dias sinto que estou a fazer mal à minha filha.

Todos os dias desejo com todas as minhas forças que seja sábado.

Todos os dias me faço de forte à frente dela para rebentar em lágrimas mal a deixo.

Todos os dias da minha vida me irei lembrar dos olhos dela quando está a chorar desesperada no colo da professora e eu viro costas e fecho a porta

(porque alegadamente os pais não devem prolongar o processo de os deixar, que só piora o sofrimento)

Todos os dias me sinto culpada.

Todos os dias sou uma péssima mãe.

Todos os dias passo o dia em angústia à espera do momento em que posso sair para a ir buscar (e Deus sabe que o tenho feito sempre uma hora antes do que devia).

Todos os dias são difíceis.

Todos os dias desejo que seja diferente.


E sim, há problemas muito mais graves e fossem estes todos os males do mundo porque isto se irá resolver (plano B ou solução natural) mas dói e custa e eu não estou a saber lidar com isto. Não a conseguir ajudar corroí-me todos os dias um bocadinho e sinto que estamos a chegar a um ponto em que outras soluções terão de ser adoptadas.

E não me digam que as crianças têm de aprender, que sofrer faz parte, que a vida não é fácil porque ela tem três anos e a vida toda para aprender.

Não me digam que estes níveis de ansiedade e stress podem contribuir positivamente para o desenvolvimento de uma criança porque eu acredito exactamente no oposto.

Não me digam que a escola faz bem porque claramente neste momento está a fazer-lhe mal.

Vou esperar até ao limite do que definimos como razoável. E se nada melhorar (e nós estamos a tentar tudo) então só haverá uma coisa a fazer

Pequeno resumo do que foi e aí vem em Outubro

7 de Outubro: anos da C.
15 de Outubro: jantar de inauguração da casa da N. e S.
16 de Outubro: anos da minha cunhada
22 de Outubro: anos do meu sogro
28 de Outubro: anos da F. em Lisboa
29 de Outubro: anos da minha mãe

Ao que acresce:

2 a 4 de Outubro: P. em Londres
10 a 13 de Outubro: P. nos Estados Unidos

Bem como:

11 de Outubro: consulta da C.
16 de Outubro: consulta no centro de saúde
17 de Outubro: consulta médica
18 de Outubro: consulta dentista
23 de Outubro: consulta pediatra
30 de Outubro: consulta médica

Valha-nos um super calendário semanal no meio da cozinha!



Cisca – Serviços matrimoniais, Lda.

Casei dois amigos!

Quer dizer, não foi bem, bem casar porque por cá ainda não temos o famoso “by the powers vested in me by the State of ... i now pronounce you husband and wife” mas anda lá muito perto!

Julgo ter dito algures por aqui que tinha apresentado dois meus amigos de longuíssima data que não se conheciam entre si (como é possível?) e que ele tinha voado para Inglaterra para a visitar.

Ora eis se não quando estes dois bons e antigos amigos se apaixonam perdidamente um pelo outro e temos amor no ar que é lindo de se ver.

Sim, só passaram meia dúzia de meses; sim, tem margem para não ser um conto de fadas mas, caramba!, o amor é lindo! Andam os dois tontinhos, tontinhos, quais adolescentes irreverentes no primeiro amor. E eu feliz da vida, não só porque os juntei, mas porque os vejo mesmo bem – perfeitos um para o outro! São aliás um desses exemplos de perfect match – iguais no café com gelo, nas claras de ovos, nas omoletes, no abacate e na proteína.

Como é que em décadas de amizade comum nunca nos tínhamos lembrado que poderiam ser almas gémeas? Ora isso, é favor perguntar ao meu homem, já que foi ele que se lembrou que os dois “tinham tudo a ver.” Aliás, isto foi um caso sério de trabalho de equipa, em que o P. pensou e eu executei e em que por isso seremos – com orgulho imenso – os padrinhos (quando / se casarem, naturalmente e eu a pôr o carro à frente dos bois!).


Pronto, estou feliz por eles, no fundo é isso e acredito no amor por isso sei que isto só pode correr bem e – se este blog lá chegar – ainda cá voltarei para contar que vou ser tia! Palminhas!

Workshops Lanches Saudáveis By Na Cadeira da Papa

Nem por acaso, há dias pedia conselhos de lanches / blogs / sites de alimentação saudável para as crianças – onde confessei que um dos meus preferidos é o Na Cadeira da Papa – e agora descubro que vão haver dois workshops:



São os dois no Porto (viva!!) e no dia 25 de Novembro (sábado) por isso deixo a sugestão. 

Foi bonita a festa!

São Pedro deu-nos chuva no primeiro aniversário da C. mas aos três anos compensou em dobro: que dia de Verão! Foi perfeito porque pudemos criar dois espaços autónomos e ter na verdade duas festas diferentes.

Na sala pus a mesa do bolo e doces, mais arranjadinha e photo friendly; No pátio pus a mesa do lanche, mais infantil e abonecada. Arranjei para ambas alguns apontamentos de decoração e – confesso – gostei do resultado final! Não tão profissional como empresas de organização de eventos, mas fofinha para uma amadora como eu. 

Passamos o dia lá fora, onde pusemos também um escorrega, uma manta grande com brinquedos, carrinhos, triciclos e onde os miúdos puderam brincar. E jantamos em casa, com um acréscimo de vinte pessoas. Houve alguns momentos em que me parecia haver “mais gente que pessoas” mas fomos conseguindo gerir.

A C. gostou imenso da festa. Amigos, prendas, doces não tem como correr mal! Estava numa excitação tão grande que não dormiu a sesta e quando já não se aguentava de olhos abertos e a fui deitar, aterrou em trinta segundos. Um dia cheio e feliz.

Das prendinhas que recebeu, eu que sou mãe vou destacar a roupa (linda!) mas ela certamente daria destaque à torre de controlo e aos carros e cães da Patrulha Pata, que fizeram (estão a fazer) em absoluto a delícia desta miúda. Acorda e dorme a pensar na torre e brinca horas sem fim. Há brinquedos desperdiçados porque as crianças afinal só gostam de telemóveis e tablets e depois há a minha filha que sim, claro que gosta de ver desenhos na televisão, mas que brinca, brinca, brinca, à moda antiga. Com histórias que inventa, sons, vozes diferentes. Um doce de se ver.


No geral correu tudo bem, tivemos amigos e família presentes (amigos até que disseram que não podiam ir e apareceram de surpresa! Obrigada N. e J.) e por mim podia ser festas todos os dias que eu andaria feliz da vida a organizá-las. 


Carta aberta. À minha filha, que faz três anos


C.

Fazes três anos hoje e embora eu tenha andado a tentar arduamente, a verdade é que ainda não consigo explicar como é que já passaram três anos. Há três anos atrás passei os últimos dias em paz, como em toda a gravidez, e foi porque nos lembramos na véspera que era boa ideia fazermos em doze horas 800 km entre Norte e Sul que provavelmente nasceste no teu dia. Quando souberes ler já te devemos ter contado esta história dezenas de vezes e eu vou concluir sempre dizendo que foi exactamente da maneira que devia ter sido. 

De resto, aliás, como tu.

Há muitas coisas que podia dizer sobre ti, que do alto dos teus três anos às vezes me fazes esquecer que ainda és um bebé, mas o que gostava que soubesses é que és exactamente como devias ser e eu não mudaria uma vírgula mesmo que pudesse. A sorte, a felicidade, a bênção que és na nossa vida é algo que possivelmente nunca te conseguirei explicar mas está certa que és o meu amor maior e eu sou imensamente grata.

Grata por nos fazeres ser pequenos outra vez mas com os olhos mais atentos, mais focados em pormenores e a saber aproveitar.

Grata pela redescoberta constante do mundo, com mais piada, com mais gargalhadas, com um amor multiplicado.

Grata sobretudo por estares da nossa vida, seres a nossa vida e nos mostrares o que é sermos pais.

Grata pela nossa família, que começamos a criar contigo e é o nosso maior bem.

Grata em especial por me deixares ser a tua mãe.
Ninguém me disse que ser mãe era ser isto mas eu descobri que foi a melhor coisa que alguma vez fiz.




“Os bebés não têm manhas, isso são coisas dos adultos”

Um artigo muito interessante e vai daqui uma compradora do livro (depois partilho):

“Os bebés não têm manhas, isso são coisas dos adultos”


"O afeto e o amor é a base para o desenvolvimento cerebral. Ou seja, não há estimulação neuronal sem a base afetiva pelo meio, não é possível uma coisa sem a outra." 


Preparativos da festa!

A minha filha está a uma semana e poucos dias de fazer três anos.
Os preparativos para a festa estão a andar e eu a desejar poder despedir-me e dedicar-me à organização de eventos sempre.

Para este ano decidimos fazer a festa em casa, como aliás vem sendo hábito, e dividi-la por dois momentos: um lanche para os amigos e um jantar para a família (mais os amigos sobreviventes ao lanche). Isto correspondia a uma lista de cerca de 55 pessoas, que entretanto se reduziu ligeiramente, com faltistas e desistentes (ninguém nos manda ter amigos em Lisboa com filhos pequenos que não apreciam por aí além viagens de 350 km; nós também não apreciamos).
Isto posto, teremos um lanche com cerca de 15 pessoas e um jantar a que se vão juntar mais 25, contas redondas. Isto implica um menu de lanche e um menu de jantar, mais uma mesa de bolo e doces e o apoio maravilhoso, fantástico, espectacular da minha querida mãe! 

Fiz um esboço da mesa do bolo, que queria que fosse fofinha, estilo pinterest, e vou ter comidas-decoração, como os cake pops, as bolachinhas, macarronsEssas coisas giras que dá pena comer. No papel, ficou giro; na realidade, falharei miseravelmente mas o que conta é a intenção (não é bem assim, eu sei). Darei o meu melhor para que fique bonito e delicioso e sobretudo para que a minha filha adore! O tema, já falamos, patrulha pata versão clean rosa / verde / roxo / branco. 

Tenho alguns apontamentos, como balões, um topper muito querido, uns frascos de vidro e um coração cheio de boas intenções. O conteúdo mais comestível do lanche está a ser pensado com amor e carinho mas ainda a zero no que à execução (ou encomenda) diz respeito! Se a festa se fizesse no entanto de listas e apontamentos, estaria tudo feito e refeito, dada toda a literatura que tenho produzido sobre o tema, incluindo esquemas e esboços!

O jantar conta com o alto patrocínio da minha mãe, que foi voluntária à força na confecção e que me assegurará essa parte. Obrigada mãe! Sobremesas, entradas, petiscos, assegurarei em casa.

O bolo, sendo o cake design necessário, mandei fazer com base numa imagem de que gostamos (filha e mãe), juntamente com meia dúzia de bolachinhas mais chic coiso

As lembrancinhas também já chegaram – e são lindas ! – tendo ainda de pensar na apresentação que lhes vou dar no dia (um cesto? Um tabuleiro?)

No geral sinto que tudo está a andar e que tenho controlado na medida do possível mas que ainda falta fazer a grande parte. Ou seja, muito trabalho bom pela frente. 

Já disse que me queria despedir e organizar eventos, não já? Se ainda não disse, saibam que gostava mesmo de me dedicar à organização de eventos! Quem sabe um dia…!


Plano B

Tenho uma característica muito vincada e que é grande parte de mim: quando sinto que alguma coisa pode não correr bem, preciso de ter pensado um plano B.

Isto acontece nas coisas simples, como nos tempos da faculdade em que eu sabia que se chumbasse no exame, tinha hipótese de recurso (plano B) mas acontece também nas maiores, como quando fazemos uma poupança que nos permita viver se formos despedidos (Plano B).

Não precisam de ser planos traçados a régua e esquadro. Basta eu saber que há um caminho alternativo por onde possa seguir se me esbarrar no principal. Geralmente são soluções piores, mas com as quais posso viver ou remediar, melhor ou pior, até encontrar o caminho certo outra vez. Sempre que sinto que alguma coisa pode correr menos bem, eu preciso de uma alternativa, de saber pelo menos que ela existe. Caso contrário, fico sem chão.

Para o processo “escola da C.”, já tenho o plano B.
Isto quer dizer por um lado que as coisas não têm de ser como são porque encontramos alternativa se necessário, mas quer dizer também por outro que o projecto inicial não está a correr como o esperado. Se eu não souber que há algo que possa fazer em relação a isto que mude em tudo o curso das coisas, falta-me o chão. E o ar. Perceber que, embora não seja a opção perfeita, há uma opção caso isto não melhore, dá-me algum conforto. Este é o lado positivo.

O outro lado é que as coisas não estão a correr bem e foi isso que me trouxe até ao ponto em que precisei de pensar num plano alternativo. Se as coisas não melhorarem, a minha filha vai sair da escola e eu vou passar a licença de maternidade com duas crianças em casa. Com tudo o que isso implica, mas sabendo pelo menos que poderá respirar de alívio e esquecer a ansiedade gigante em que está.

Ainda acredito que possa correr bem. Ainda acredito que possa melhorar. Para já está muito pior do que o esperado mas as crianças são surpreendentes a todos os níveis e a minha obrigação é acreditar que vai passar.
Se assim não for, eu tenho um plano B.

De coração cheio

Diz-se que os amigos são a família que escolhemos e é bem verdade. Aos amigos verdadeiros estamos ligados por laços tão fortes como os de sangue; são as nossas pessoas, as nossas metades, os mais que tudo, de quem gostamos incondicionalmente, que são para nós e somos para eles. Os nossos amigos são família também. Mesmo que não os possamos ver todos os dias, mesmo que só consigamos estar todos juntos em ocasiões muito contadas. Isso, na verdade, não é o mais importante. O que importa verdadeiramente é o que somos quando estamos juntos e somos magia. 

Tenho conseguido fazer com as meninas um fim-de-semana por ano. A nós juntaram-se maridos e filhos e mais recentemente um namorado. Estamos a crescer em número, em boa disposição, em gargalhada, em maxilares e barriga a doer de riso. Queremos crescer também em dias que estamos juntos mas dois, que é tão pouco, é tão, tão bom! Quem me dera que pudesse acontecer mais vezes. Mas a circunstância de nos separarmos e termos cada um entre duas a três horas de viagem até ao destino, todos em sentidos opostos (Norte, Sul, Este) é bem representativa da distância que nos separa. Façamos apenas com que os fins-de-semana que acontecem sejam para sempre, mesmo que curtos.

O nosso fim-de-semana deste ano esteva quase para não acontecer. Foi à última da hora e um dia depois de ter começado que nos decidimos juntar. Foi pequeno, soube a pouco. Mas foi maravilhoso, como uma lufada de ar fresco numa semana particularmente difícil. 

Vamos voltar a ver-nos, claro; voltaremos a ver-nos antes do próximo encontro a oito adultos mais sabe Deus quantas crianças, mas continuaremos a contar os dias até ao próximo fim-de-semana, em que somos todos outra vezBecause friends are forever and i love you all.

A segunda filha

Li um post no maespontopt sobre a segunda filha e deixou-me a pensar. A ideia base era algo como: se o primeiro filho não dormia nada ou não comia, eu tenho alguma expectativa de ter um segundo que coma melhor ou durma bem. Mas e se o nosso primeiro filho, em geral, come bem, dorme bem, se porta bem? Se não faz grandes birras, se é simpático, sociável, easy goingone of us? Qual o grau de pressão que ponho na ideia do segundo? Mais grave ainda, será que terei uma tendência ainda maior em compará-las? “A tua irmã dormia bem melhor do que tu”, “a tua irmã nunca deu trabalho a comer”, “ a tua irmã…”

É um dever nosso, enquanto pais, não ceder a comparações, evitá-las mesmo. Mas eu sei, sabemos todos, que acontece. Acontece com amigos, que fará com os filhos que estão os dois na mesma casa o tempo todo?

post que li concluía dizendo que os avós tiveram seis filhos e se via o amor igual por todos. E nisso eu acredito cegamente, que o coração estica, duplica, multiplica e amamos os filhos todos por igual. Comparações? Quero acreditar que haverá sempre bom senso.

Dar e receber!

Ontem pedi ideias de sites e receitas para lanches saudáveis para miúdos e em troca hoje queria partilhar uma página que me é muito querida.

Vem a ser:


Trata-se de um projecto que faz das festas das crianças um lugar mais especial. Tudo pela mão de uma pessoa que é a mais querida e atenciosa que podem encontrar.
Deixo algumas imagens e recomendo, por experiência própria e reincidente.












Lanches mais saudáveis

Não sou (e nem faço tenção de ser) uma fundamentalista da alimentação. A nossa filha não comeu açucares até aos dois anos e qualquer coisa; tem três anos e nunca comeu chocolate (provou há dias leite achocolatado); evitamos processados, doces, fritos são mesmo muito raros. Mas sim, fazemos douradinhos (no forno) às vezes, e sim ocasionalmente comemos fora e há batatas fritas, e sim, pode acontecer que já tenha comido algumas vezes bolo de iogurte. Nisto da alimentação, bom senso é regra.

Nesse espírito, tenho tentado conciliar a lancheira da C., entre lanches mais “típicos do meu tempo” com coisas mais saudáveis. Evito que todos os dias seja pão e iogurte ou pão e leite (era o que eu comia!) e procuro introduzir frutas, tostas ou outras opções mais saudáveis. Um lanche que é sempre um sucesso são as panquecas (sem açúcar) de laranja e cenoura. Mas já tem levado bico de pato com compota de morango.

Nesta tentativa de opções melhores, tenho procurado blogs/ sites com dicas e sugestões de receitas e é aqui que todos são chamados à recepção.

O meu site preferido e de onde faço (de longe!) mais receitas é o Na Cadeira da Papa. Os scones e as panquecas são frequentes lá em casa (já eram antes da escola) e adoro as lancheiras diárias.

Mais recentemente descobri A Pitada do PaiJo Cooking para alguma inspiração, pese embora ainda não tenha testado nenhuma receita.

E por aí? Que lanches fazem? Que dão aos miúdos? Que sites são os vossos melhores amigos nesta matéria? Qualquer ajuda é bem-vinda!

O dia em que pensei que tinha perdido dois anéis e me fartei de chora

Não sou uma pessoa materialista. Não gasto dinheiro em excesso em bens materiais. As marcas não me dizem nada. Mas há objectos que são muito especiais.

Não sou uma pessoa materialista mas houve um dia em que pensei que tinha perdido dois anéis e me fartei de chorar.

Há meia dúzia de objectos que fazem parte de mim. Alguns são cadernos. Há uma caneta. Uma peça de decoração. E os meus anéis. 
Os meus anéis especiais contam histórias, são parte da minha vida, são recordações maiores. Dizem-me muito. Dizem tudo. 
A minha aliança por exemplo é uma fotografia constante do meu casamento no meu dedo. É uma alegria constante, uma lembrança física sempre presente. Se a perdesse, nem sei.

Guardo todos os meus anéis queridos numa caixinha especial. Nunca me faltou nenhum, sei deles todos. Sei de quando são, por que foram. Uso-os sempre, entre uns e outros.

Um deles recebi-o no dia em que chegamos a casa do hospital depois de a C. nascer. Em cima da alcofa dela o P. colocou o embrulho com um bilhetinho que dizia “obrigada por me teres trazido ao mundo.” O nascimento da minha filha não precisa de nenhuma recordação para estar sempre presente mas aquele anel marcou aquele momento. E quando há dias abri a caixa para o usar, não estava lá.

Sei que é só um anel, embora para mim não seja só um anel, mas comecei a entrar em pânico. Primeiro porque eles estão sempre todos ali; depois porque não me lembrava de lhe ter mexido. Achei que o tinha perdido sem ter dado por isso, o que significava que jamais o conseguiria encontrar. Procurei em toda a caixa (como se fosse enorme) e em todas as caixinhas de anéis. Nada, nem sinal. Desespero.

Foi nesse dia mais tarde que me lembrei de uma outra caixa, de bijuterias, onde guardo em saquinhos de pano todos os colares e pulseiras e onde tinha alguma reminiscência de ter posto anéis para levar de férias. Dentro dessa caixa estava um saquinho preto com alguns colares e o meu anel da C. Respirar de alívio!

Em conversa com uma amiga disse-me que durante a gravidez tinha perdido a chave do carro e a aliança mas que ambas apareceram já depois do filho nascer. Uma numa gaveta da mesinha de cabeceira e outra no fundo de uma carteira. Vou atribuir este susto à gravidez e falta de memória mas ainda assim deixar passar algum tempo antes de voltar a usar anéis. Sinto-os mais seguros na caixa. E não ganhei para o susto.


Coisas boas de ter casado com o meu homem

Já aqui tenho gabado o grande facto de ter um marido que é engenheiro informático de formação e todas as coisas boas que essa circunstância me tem trazido.

A mais recente revolucionou toda a minha logística familiar de planeamento de refeições e por isso vai daqui um abracinho de reconhecimento e gratidão a esse grande homem que é o meu!

O que se veio a lembrar ele?

Num voo de 23 horas criou uma aplicação que escolhe os menus semanais! Tchanan!

Eu abro a aplicação, digo para quantos dias quero refeições e ele gera para segunda x, para terça, y, quarta, z e assim sucessivamente (uma semana, duas, um mês, o que quiser). Posso ainda escolher qual o intervalo de dias que quero para que não se repitam pratos, para garantir que não enjoamos. E com esta informação, que tento gerar à sexta-feira, consigo comprar apenas o que é necessário para a semana sem desperdícios. Ganhamos todos!

Além disso, a grande vantagem desta aplicação quando comparada com outras que se encontram online, é que a base foi o meu homem que a fez, ou seja, as cinquenta ou sessenta refeições que lá estão foi ele que as pôs, com base naquilo que comemos geralmente ou que gostamos. Por isso não irá lá aparecer polvo à lagareiro nem língua de vaca, que são coisas que não comemos. Todos os pratos são coisas nossas, do dia-a-dia e isso faz com que em cada semana cozinhar não seja um bicho de sete cabeças. Sendo que podemos sempre acrescentar coisas novas (ou retirar antigas) para ir variando. A informática a melhorar a vida das pessoas, em particular a minha!