O que salvavas?

Altamente influenciada por "This is us", essa série que me dá cabo do coração, surgiu-me a dúvida do que salvaria caso a minha casa ardesse (Deus me livre) e só pudesse salvar uma coisa.

Estou obviamente a pensar em bens materiais, partindo do princípio de que todas as pessoas estavam salvas.

Se tudo se perdesse e só pudesse escolher uma coisa, o que salvava?


Comecei por pensar na minha caixa de anéis. Não pela questão do valor monetário, que não valem assim tanto, mas pelo imenso significado que têm na minha vida.

Depois pensei na máquina fotográfica, que é o meu maior luxo, o meu Ferrari (sem a parte das rodas).

Mas depois percebi que a única coisa que tinha realmente de salvar era o nosso disco externo, que é no fundo o álbum digital de todas as fotografias da nossa família. O meu arquivo fotográfico desde 2005. As imagens da nossa vida. Não importava mais nada, desde que tivéssemos as fotografias.

No fundo, não há nada como as memórias.


Uma pessoa não dorme mais de três horas seguidas e depois é isto...

Há uns dias atrás o meu homem perguntou-me se tinha visto a aliança dele; não tinha. Fiz um esforço para não hiperventilar naquele momento, afinal em regra ele "não perde, deslocaliza" e deixei passar uns dias.

Nada de aliança.
Ora, quando o homem "deslocaliza" alguma coisa, a dita da coisa costuma aparecer ao fim de pouco tempo. Estava mal guardada.
Mas desta vez, não aparecia.

Perguntei às pessoas que habitualmente se movimentam em nossa casa se não a tinha visto. Ninguém viu. Comecei a hiperventilar. Entretanto, desabafei com as minhas amigas as opções que estava a considerar para o caso de a aliança não aparecer: i) pedir divórcio; ii) ficar muito zangada; iii) deixar lá, paciência (forte incidência na primeira opção!)

Passaram-se mais uns dias, até que decidi abordar o tema, já convencida de que se tinha perdido para todo o sempre.
Como é que ele podia ter perdido a "prova do meu amor e da minha fidelidade" assim?

Obviamente que não estava nada preocupado, sempre convencido de que apareceria, eu em stress, como é que ele conseguiu perder uma coisa tão importante. Até que me diz,

- Deve estar em qualquer lado. Com as obras dos armários, de certeza que a pus noutro sítio. Amanhã procuro.

Obras. Armários. Por noutro sítio.
De repente o meu tico e teco encontraram-se e.. espera aí!

A aliança do meu homem estava na caixa dos meus anéis, onde EU a tinha posto no dia em que começaram as obras, para não ficar em cima da cómoda a solta.

É grave, eu sei.

Pergunto-me se seremos todas assim...

Metemo-nos numa empreitada em casa que consistiu em remover totalmente dois armários embutidos de dois quartos, substituí-los por outros e colocar ainda, em três outras divisões, outros três armários.
Parecendo que não, foi obra para dois dias inteiros, toneladas de pó e tralha por todo o lado (para dar uma ideia, dormimos na sala duas noites).
Só passado uma semana do fim da obra consegui ter tudo organizado e arrumado em condições e, como tal, respirar de alívio.

Reconheço no entanto que obras de monta têm algumas vantagens (além da óbvia de ficarmos com coisas novas) e uma delas é sem dúvida passar em revista todas as coisas que temos guardadas e tivemos de tirar dos sítios. Permite i) encontrar coisas que não víamos há muito tempo e gostamos; ii) dar o que já não queremos; iii) deitar fora o que não presta. No fundo, destralhar, que é coisa de que gosto muito (e nem sempre pratico, shame on me).

O departamento mais afectado desta vez foi o das minhas carteiras. Consegui arrumar em grande escala e fiquei feliz com o resultado final. Ao vê-las em monte, antes de as arrumar devidamente no armário, pareceram-me ainda assim centenas. Mas ao arrumar, tive a alegre surpresa de verificar que são afinal 17. Tenho exactamente 17 carteiras, eu que sou a pessoa que se me perguntassem quantas carteiras tinha, diria que possivelmente umas 30.

17 carteiras parece-me um bom número: 
- São 2 shopers XL
- 4 mochilas
- 4 ou 5 carteirinhas (do tempo em que não tinha filhos)
- E meia dúzia de outras normais, do dia a dia.

O verdadeiro problema desta questão reside no entanto no facto de ter 17 carteiras e usar sempre a mesma!
Também acontece por aí?
Passam-se meses que não mudo, por nenhuma outra razão que não seja a preguiça. E eu nem carrego tanta tralha ao ponto de demorar horas a fazer a mudança. Simplesmente, tenho preguiça. Ou esqueço-me, pronto. Ou então vai-se a ver e aquilo que precisava mesmo era de um armário que as guardasse em condições de as ver todos os dias e me inspirar às trocas!


Entretanto estive a pensar..

Sabem aquela tradição de oferecer uma prendinha ao bebé quando acabou de nascer e o vamos visitar?
Ora muito bem, estou de acordo sim senhor, faço igual (e para o irmào mais velho se o houver, também).

Vendo isto da óptica de quem recebe, tenho a dizer que bem, bem, era juntar à lembrança para o bebé, uma utilidade para a mãe. E qual vem a ser? Pois que nada mais nada menos do que uma refeição pronta a aquecer! Tchanan!

Simples não é? Vamos por passos:

1. Vão a casa da recém mamã e bebé.
2. Levam prendinha lembrança para o bebé
3. Confecionam antes de sairem uma refeição rica e saborosa para a família a visitar (em sendo muito fofinhos, juntem uma sopinha)
4. Acomodam tudo direitinho e levam!

Melhor forma de fazer uma mãe feliz!


Best cross selling ever!

Nunca comprei gomas à minha filha mas a semana passada fomos a uma festa de anos em que a prendinha que o aniversariante deu aos convidados foi um saquinho cheio de coisas do demo, entre elas precisamente um mini pacote de gomas.

Concordei que comesse as gomas com algumas regras (não todas de uma vez) e quando o pacote acabou e o fui deitar fora, reparei neste detalhe absolutamente delicioso.

Na parte de cima do verso há a seguinte mensagem:

"Não te esqueças de lavar os dentes depois de te deliciares com estes doces!"

Seguido da uma segunda mensagem na parte inferior:

"Conhece toda a gama de higiene oral do Continente!"

Não é poético?


Dia P. De Parto

Era uma vez uma linda menina (cof cof cof!) que escolheu para desposar um engenheiro. Confiando que o dito engenheiro saberia fazer contas e tabelas de excel, confiou-lhe a programação da data de nascimento do seu segundo filho. Foi com isto em mente que em casa da bela menina e do senhor engenheiro no início do também ele belo ano de 2017, se calculou a partir de certa altura que sim senhor já se poderia engravidar pela graça de Nosso Senhor, pois a criança já não nasceria no Natal.

Sucedeu no entanto que o feliz casal engravidou e mal se viu grávido percebeu que o risco de nascer no Natal  ou Passagem de Ano era real. Engenheiro a falhar contas desde 1983 e menina capaz de pôr em causa a sua habilidade matemática.

Em teoria a coisa poderia até correr bem, isto é, o termo da gravidez (por termo entendam-se as 40 semanas) era no início de Janeiro, pelo que a nascer com 39 como a irmã mais velha, calharia pelo dia 29 ou 30 de Dezembro. Podíamos viver com isso.

A mãe, eu própria, suspeitava desde o início que a coisa se daria ali entre o Natal e Passagem de Ano e o tempo foi passando.

Quando chegamos a meados de Dezembro, comecei a ter alguns cuidados extra pensando que se a bebé nascesse depois de dia 21, já não passava o Natal em casa. Ora, tendo eu uma filha mais velha e adorando a época, dias 24 e 25 eram dias importantes para estar em casa.

Na consulta das 37 semanas perguntei ao meu médico se chegaria às 40. Ele, com o seu sentido de humor habitual, diz-me que com a saúde que tinha de certeza que chegava aos 80 (anos). Ah Ah Ah.

Decidimos entretanto que, n\ao obstante, melhor seria não fazer a consoada em casa nem o almoço de dia de Natal (ambos estiveram em cima da mesa como opções) porque por esta altura talvez eu devesse descansar e estar sossegada. Certo, menina bonita a cumprir tudo direitinho.

No dia 24 por volta do meio dia estava em casa com a C. porque o homem tinha ido buscar um bolo para levarmos para casa dos meus pais, a preparar-nos para um brunch com uns amigos quando a minha filha mais nova, aqui ainda na barriga, decidiu que queria vir ver o mundo, que isto do Natal é mais bonito cá fora e lá dentro não tem piadinha nenhuma. 

Ligo ao P. a pedir que venha para casa. Ligo aos meus pais para me virem buscar a C. (moram a uns 40 Km de nós). Cancelo o brunch. E às quatro horas do dia 24 de Dezembro estamos a entrar no Hospital via urgências para ver que tal está a coisa.

Por esta altura já estava em trabalho de parto mas dizem-me, porque são imensamente queridos, que como é Natal podia ir para casa e estar quietinha que talvez ainda aguentasse a consoada em família. Muito bem. Vamos para nossa casa, sento-me no sofá, ainda tentamos ver um filme, mas a ideia de ter a C. em casa dos meus pais sem os próprios pais na véspera de Natal cá-me cabo do coração. 

Ora o que fazem duas pessoas normais? Deixam-se estar mesmo assim, coração apertado e tudo, quietinhas? Não! Metem-se no carro para andar 40 Km (notar que da primeira gravidez foram 300, estamos a melhorar) e ver a filha.

No caminho estava já com imensas contrações com cerca de dez minutos de intervalo. Mesmo assim, entrei em casa dos meus pais, dando ainda à minha mãe a esperança de que tínhamos ido para a consoada, apenas para dar um abraço gigante à C. e informar a família que a miúda ia nascer. Mixed feelings de todos.

Ficamos meia hora com a C., o suficiente para as contrações passaram para intervalos de cinco minutos e metemo-nos no carro em direção ao hospital - mais 40 Km.

Demos entrada novamente no dia 24 de Dezembro pelas oito da noite, desta vez para ficar. Instalaram-nos na sala de partos à espera que o trabalho se fizesse, não sem antes oferecerem rabanadas e bacalhau ao P., e nos ligarem o rádio com playlists natalícias. Ali ficamos,  os dois, entre o "oh meu Deus como é que isto aconteceu no Natal?" e o "oh meu Deus a nossa filha vai nascer!"

A espera fez-se bem, entre fotos da família e amigos a partilharem as suas ceias de Natal, a videos do meu irmão com a C. a divertir-se. Ao fundo ouvíamos a consoada dos médicos e enfermeiros, com vários brindes à mistura e eu a desejar que não bebessem em excesso porque alguém tinha de me tirar a criança de dentro.

Estamos entretanto já muito perto da meia noite e as coisas avançam de repente. Começo a sentir a pressão de um bebé que quer vir viver o Natal e entre parteira e enfermeiras a entrarem e saírem, sei que vai acontecer muito em breve. Preparam-se as coisas, a cama onde estou, a sala, luzes (câmara, acção) e a parteira manda-me fazer força. Tenho alguma esperança que seja tão rápido e indolor como da C. mas sinto que estou ali bem mais tempo e com algum esforço adicional. Ouço-a ainda a chamar a obstetra ("Queres fazer o parto? Então anda depressa que está quase a nascer!) A médica chega efectivamente, eu continuo a fazer força mas há alturas em que sinto que não vou conseguir. Há alguns gritos, confesso, há um morder da mão do P. (sorry babe!), há algum desconforto, não exactamente dor, mas mais do que estava à espera dada a experiência anterior. Sei que não estivemos ali mais do que quinze minutos mas parece-me muito tempo até que...

Pôr uma criança no mundo será sempre um milagre. O meu acaba de me nascer e passam quinze minutos da meia noite. È dia de Natal e a nossa prenda é real. Ouvir o choro dela é respirar de alívio e graças a Deus pela saúde. Tenho mais um coração a bater fora do meio e a prova de que o amor de mãe só multiplica. Fizemos mal as contas e nasceu mesmo dia 25 de Dezembro mas já não importa. Somos uma família de quatro a viver feliz no Natal e para sempre.












Dermatite periorificial

Em Abril de 2016 foi-me diagnosticada uma "coisa parva" na cara (falei sobre ela aqui, utilizando precisamente este termo técnico) que me pôs a antibiótico nada mais nada menos do que nove meses.

Engravidei no ano seguinte e no último mês de gravidez, os sintomas que tinha tido anteriormente, estavam a repetir-se.

Confesso que deixei passar algum tempo mas quando me dignei a consultar um médico, estava já totalmente certa do diagnóstico. Desta vez tem um nome mais pomposo mas está de volta em todo o seu esplendor. Obrigadinha, pele da cara.

Estando eu a amamentar uma criança de um mês, a opção antibiótico estava totalmente fora de questão, pelo que me foram receitadas coisas várias para pôr na cara e entregue uma lista de alimentos que não posso comer porque irritam a pele.

É com grande tristeza, revolta e pesar que (tenho esta mer#&! de volta e) não posso comer chocolate. Sim, eu própria, cujo alimento preferido é chocolate, que precisa dele como de pão para a boca, que tem um vício assumido. Acabou-se. E que coisa mai' linda para o dia dos namorados, digam lá!

(Já agora, namorem muito! Mas não comam chocolates, faz mal aos dentes)

Tenho esta dúvida que me assola

Porque é que já pari há um mês e meio e ainda não falei aqui do parto?

(Parêntesis para perguntar se não acham que há qualquer coisa de maravilhoso na expressão "parir" quando aplicada ao nascimento de uma criança?)

Havemos de falar disso, prometo (a mim própria em especial!)

Coisas boas

Estou totalmente maravilhada com o funcionamento do serviço nacional de saúde no que à saúde materna e infantil diz respeito (tenho de falar sobre isso mais em detalhe).

A última grande revelação - e que me fez pensar que os meus impostos andam a ser bem empregues - foi o contacto que recebi do centro de saúde e que consistiu no seguinte:

- Fala a Cisca?
- Fala sim.
- Olhe, daqui é do seu centro de saúde. Queria informá-la que vamos abrir na próxima semana uma turma de aulas de recuperação pós parto e técnicas de massagem de bebé e gostávamos de saber se quer frequentar. As aulas são às quartas-feiras e têm a duração de uma hora.
- Inscreva-me duas vezes!

E foi assim, salvo a parte das duas vezes, que comecei aulas de recuperação pós-parto que me deixam contentinha, conteninha (embora sejam MUITO leves e não vá tirar qualquer emagrecimento dali). Impostos a serem bem empregues porque as aulas são gratuitas e dadas por uma enfermeira que, além do resto, ainda ajuda com dúvidas e dá dicas sobre criar bebés felizes. Obrigada SNS!

Sushi a dobrar!

O fim-de-semana passado foi de grande actividade social para esta que vos escreve. Sexta-feira fui jantar com umas amigas e sábado recebemos para jantar três casais de amigos e respectiva prole.

Tudo isto estaria muito bem (e esteve, de facto) e não seria nada de especial não fosse dar-se o caso, como se deu, de ter jantado em ambos os dias (agora apetecia-me dizer am ambos os dois! Ahahah!) nada mais nada menos do que... sushi !

Somos fãs da iguaria, somos sim senhor.
Não comemos durante nove meses, também verdade sim senhor.
Se era preciso comer dois dias seguidos? Certamente que não.

Foi uma pequena coincidência que nos levou a dois barrigões de sushi, um jantar tradição que fazemos rotativamente pelas casas de três amigos e este fim-de-semana calhou aqui e uma amiga que veio de Lisboa passar o fim-de-semana e que vinha com ganas de sushi (porque não francesinha? não sabemos).

Com isto, estamos contentinhos, contentinhos por haver bons restaurantes de sushi no Porto (eu que morro de saudades do Sushi Time no Parque das Nações) e assim sendo deixo a recomendação:

Eu gosto do dos Pinhais da Foz mas há na Baixa e em Matosinhos

I'm a 30 year old woman with two piercings and one tattoo

(Calma. O título é só para enganar)


Foi uma coisa de impulso, vi e apeteceu-me, mas mantenho-o até hoje (o brinco com que furei).

Entretanto, comecei a pensar no ano passado que giro, giro, era um furo por filho.

È com isto em mente que este ano, dia 17 de Agosto, me deslocarei ao mesmo sítio para fazer na mesma orelha o segundo furo. Pelo sítio em que está o que tenho e estará o que vou fazer, parecem-se mais a piercings do que aos tradicionais brincos (no lóbulo da orelha) - e isto explica metade do título.

Entretanto, quando fiz trinta anos os meus amigos deram-me de prenda a coisa mais maravilhosa: uma tatuagem!
Sabiam que era uma coisa que há muito queria fazer e por isso juntaram-se todos a um estúdio de confiança e o resultado foi um voucher. Teria feito a tatuagem no mês seguinte mas descobri que estava grávida. Por esse motivo pedi prorrogação do prazo e até Março de 2019 (consoante dure o tempo de amamentação), terei a minha primeira tatuagem - isto explica a outra metade do título.

A parte que aqui não está tão correcta é a dos trinta anos porque em rigor o segundo furo será aos trinta e um e a tatuagem possivelmente aos trinta e dois. Pergunta: estarei já demasiado velha?

O problema de ter sonhos

Quando desejamos conseguir fazer algo durante muito tempo, começa a formar-se a ideia de sonho. Não tem de ser a coisa mais ambiciosa de que há memória, basta que seja algo que queiramos realmente.

Eu queria realmente fazer boas fotografias. Sonhava em ser uma boa fotógrafa para captar a essência e a beleza das pessoas. Gosto de retrato. Adoraria fazer retratos, em especial das meninas. Fotografias lindas que pudesse guardar para sempre em albúns e molduras.

Eu achava que me faltava tempo para praticar e que era por isso que as minhas fotografias não ficavam francamente boas (salvo uma ou duas excepções). Mas que assim que começasse a praticar muito, melhoraria a técnica e o resultado seria muito melhor.

Bom, eu estava enganada.
Não pratiquei nada de especial, verdade, mas as tentativas que fiz deixaram-me com aquele sentimento de frustração. Aquela sensação de "eu queria mesmo isto mas se calhar não tenho jeito."

O problema de ter sonhos e de os tentar alcançar, é que por vezes a desilusão é enorme. Eu sonhava com grandes fotografias e percebo que talvez não venha a ser uma grande fotógrafa. Talvez não tenha mesmo o dom que é necessário. Continuarei no entanto a tentar.

Igual conclusão vale para outras coisas, como a ideia que tenho que seria tão feliz a viver do turismo, papelaria ou organização de eventos (da óptica do prestador de serviços ou vendedor) e que talvez se a pusesse em prática seria uma desilusão. Quando digo isto ao meu homem ele acha que o medo da queda não pode ser razão para não tentar. Eu sei que ele tem razão mas enquanto são sonhos, há sempre esperança e quando não se realizam, são só frustrações. 


E eu que achava que ia fazer de tudo um pouco...

Venho confirmar a minha teoria de que estando de licença, não se cumprem quaisquer planos.
Não me serviu de ensinamento a primeira e à segunda volta ainda achava que ia fazer e acontecer. Zero. Bola.

Certo que só passou um mês mas, ainda assim, não fiz nada da vida a não ser tomar conta da minha filha (que já é muita coisa, certo?)

Coisas que queria fazer:

Treinar fotografia
Se tirei dez fotografias num mês acho que terá sido bom. Excepciona-se o projecto "foto do mês", que recuperei (consiste em fazer um cartaz com os feitos do mês e tirar umas fotografias giras) e uma ou outra excepção. Li algumas páginas de um manual de fotografia e tentei treinar alguns conceitos, mas confesso que fotografia dentro de casa não resulta tão bem como nos livros e por isso está meio parado. Mantenho no entanto o desejo de preencher o diário de fotos com os desafios que lá estão.

Escrever, escrever, escrever
Estou bastante triste com o rumo que a minha (não) carreira no mundo da escrita está a seguir. Tive um contacto com uma editora mas passaram meses e não recebi qualquer feedback adicional. Falta de profissionalismo do lado deles, obviamente! Mas deitou-me um bocado a baixo nesse campo. 
Ainda assim, gostava muito de continuar a escrever e de produzir ainda um conto infantil este ano. Se vai acontecer? Ora bem...!
O próprio do blog, é o que se sabe...!

Encontrar uma casa
Andamos (outra vez) à procura de uma casa e pese embora tenha lambido toda a internet, não está a acontecer como esperado.

Tratar de mim
Esta não era difícil: gostava de me arranjar decentemente todos os dias e sentir algum orgulho no resultado final. Isto apenas implicaria uma roupa gira, bem combinada, cabelo arranjado, e maquilhagem (aquele toque ligeiro mas que faz toda a diferença) e por isso não dava trabalho nenhum. Nem sempre acontece; aliás, sendo sincera, raramente acontece. Adoptei um casaco grosso como farda de todos os dias e eu que até gostava dele, já nem o posso ver à frente. É confortável, dá imenso jeito mas é tão trengo que valha-me Deus. Urgente mudar!


Isto posto, que andas tu a fazer Cisca?
Os meus dias são totalmente preenchidos e sinto que têm cinco horas quando deviam ter cinquenta. Literalmente, não me sento cinco minutos.
Levanto-me pelas sete e meia, banho, roupa, pequeno-almoço. Adianto os pequenos almoços, preparo o lanche da C., arrumo a loiça que ficou a secar. A C. acorda entretanto, arranjo-a, vestir e pequeno-almoço. Levo-a à escola. Chego a casa por volta das nove e meia e tenho uma hora para pôr máquinas a lavar ou estender, adiantar almoço, fazer uma sopa, às vezes passar a ferro (depende do dia). Entretanto, a pequenina está a apitar que quer comer. Dar de mamar, mudar fraldas, vestir, etc. Já passou mais uma hora e é altura de ir buscar a C. à escola (que vem dormir a sesta a casa). Brincar um bocadinho com a C., deitá-la, comer qualquer coisa, arrumar cozinha. Hora de dar de mamar novamente. Às três tenho a mais velha a acordar, é preciso levá-la outra vez à escola. Regresso e adianto jantar, faço algumas compras que sejam necessárias, trato de mais alguma coisa de casa (há sempre que fazer). Por volta das cinco a mais pequena quer comer, a mais nova regressa da escola. Lanches, terminar jantares, brincar um bocadinho. Final da tarde, banhos e jantar. Brincar mais um bocadinho. Deitar a mais velha. Dar de mamar e deitar a mais nova. Arrumar cozinha, brinquedos, tralhas várias. Se aqui me sentar no sofá dois minutos, adormeço. Vou para a cama finalmente, mas só para continuar a acordar de três em três horas. Yeah!

Organizei a rotina de forma mais ou menos estável e estou contente porque tenho sempre almoço e jantar feito, roupa tratada, C. com tempo para brincar, I. alimentada. Os extras, ainda não consegui encaixar. Lá virá o tempo (ou não)! Quem sabe no quarto filha isto já seja tudo com uma perna às costas!

(Notar que este post demorou três dias a escrever!)

Em complemento do post anterior

Passei na revisão!

Queria só dizer que...

Tenho hoje consulta de revisão pós parto e só me lembro disto

Post escrito em Novembro de 2015 aqui


Nas vésperas da MC fazer um mês, voltei ao médico para uma consulta de "revisão do parto."
No fundo saber se estava tudo bem, como tinha sido a recuperação e se podia retomar a vida normalmente - em especial quanto ao exercício físico

Estava absolutamente descontraída porque me sentia lindamente. Nos primeiros dias depois do parto tinha ainda algum desconforto, mas quinze dias depois estava já totalmente operacional, sem qualquer dor ou impressão. Dizer só que os quinze dias não são exemplificativos; houve mesmo um momento em que, conscientemente, avaliei o meu estado e concluí que me sentia bem, sem qualquer efeito pós parto. Tinham passado exactamente duas semanas.

Foi por isso com total descontração que fui à consulta um mês depois.
Foi também por causa disso que fiquei altamente surpreendida com o resultado dessa consulta que, diga-se desde já, me pôs na sala de operações três dias depois.
Na ecografia - de rotina - foi detectado um pequeno fragmento de placenta no útero.

Fenómeno ao que parece bastante raro e alegadamente não detectável no pós parto natural.
O procedimento para remoção é também bastante simples e sem quaisquer implicações no futuro, sendo que não retirar os fragmentos é que pode, isso sim, impedir uma futura gravidez. Há casos em que causa hemorragias e febres altas mas no meu caso não tive qualquer sintoma.
Ainda assim, obriga a anestesia geral e a uma ida ao bloco.

Fiquei em pânico com a ideia da anestesia. Nunca fui operada a nada - aliás o parto foi a minha primeira experiência clínica - e assustava-me a ideia de não acordar, de perder a memória, ficar sem andar. Um desenrolar de tragédias. Na minha cabeça só me lembrava da cirurgia de altíssimo risco que a minha mãe fez (há quase vinte anos), em que disse ao anestesista: "eu tenho dois filhos. Tenho de acordar." Também tenho uma filha. E um marido. E uma família. Por favor, por favor que não fique estendida no bloco!

Três dias depois estava a dar entrada no hospital onde um mês antes tinha sido imensamente feliz, com médicos e enfermeiros a dizerem que só me esperavam ali daqui a um ano ou dois, para o segundo filho. Eu também..!

Eram nove e pouco da manhã e estava no bloco, para um procedimento que deveria ter durado vinte minutos e acabou por demorar duas horas, devido a algumas complicações. A parte boa de estar a dormir nessa altura é não me ter apercebido de nada disto; complicação é coisa que não queremos ouvir numa hora destas.
Ao que parece - fenómeno ainda mais raro - os milímetros de placenta que lá ficaram colaram de tal maneira às paredes do útero que retirá-los tornou-se um desafio. Tão desafiante até que o médico teve de ligar a um colega para ir lá auxiliar num outro procedimento qualquer - que acabou depois por não ser necessário.

Não ganhei para o susto.
Dei o meu estado saudável como adquirido e esta operação fez-me pôr em causa algumas certezas. Certamente não voltarei à consulta com um espírito tão leve.
Ainda assim, foi-me garantido que tudo tinha corrido bem, sem qualquer vestígio de placenta e tudo em correcto funcionamento.

De assinalar no meio disto tudo que me custou incomparavelmente mais o pós operatório desta cirurgia do que de todo um parto. Portanto, pôr crianças no mundo é mais fácil do que expelir restos de placenta - e lamento se isto é demasiado gráfico. Levantar-me depois desta operação foi um desafio em seis actos. Cada vez que tentava pôr-me em pé, tinha uma quebra de tensão que me obrigava a deitar outra vez. Quando finalmente me levantei e andei dois passos, caí redonda no chão - amparada pelas enfermeiras, do mal o menos, que evitaram demais lesões. Só ao fim de longas horas consegui sair da cama e ir de cadeira de rodas até ao carro para ir embora. Uma aventura em bom.

De futuro, em qualquer parto que venha a ter não deixo o hospital sem garantir que tiraram tudo o que era suposto tirar e que não fica qualquer bocadinho para contar uma história igual a esta. Deixo a dica.